André Leal Sobral

23/12/2009

Estranhamente Humano

Arquivado em: Devaneios Diários — André Sobral @ 11:44 am

Sempre me pego pensando no que somos, seres humanos… O que quer dizer isso? Somos seres superiores? Possuidores de um cérebro altamente desenvolvido? Caminhantes eretos? Criadores e utilizadores de ferramentas?  Modificadores do ambiente, mais que qualquer outra espécie de ser vivo…

E como modificamos! Modificamos ao ponto de natureza significar algo distante, vendido em um slogan “proteja a natureza”, visível através das imagens dos documentários denominados “Vida Selvagem”.  Selvagem, palavra que freqüentemente tem significado pejorativo: o que vem da selva, desconhecido, descontrolado, violento, bruto, grosseiro, arisco, inesperado, bravo impulsivo, perigoso… “Vida Selvagem” neste contexto provavelmente descreveria melhor a vida do homem urbano moderno do que a de um boi não domesticado.

Diariamente enormes extensões de florestas são derrubadas, planícies são alagadas, rios e mares poluídos, montanhas explodidas e perfuradas, condenando a extinção centenas de espécies: araras, micos, tartarugas, humanos, ursos, baleias, tigres e tantas outras já eliminadas antes mesmo de termos o conhecimento das suas existências.

O que diria uma vaca civilizada ao descobrir que sua vida é controlada do nascimento à morte em um ambiente fechado, onde lhe é injetado drogas e hormônios com a finalidade de que o leite dos seus filhos seja bebido por nós e sua carne devorada? Será que a vida de algum animal possui valor semelhante à de um ser humano? Que diferença faz isso quando os seres humanos morrem com descaso semelhante e tem suas vidas exploradas por todos os meios possíveis? Todos os dias, pessoas são assassinadas, violentadas, agredidas ou simplesmente abandonadas à morte pela fome ou doença em nossos “centros urbanos civilizados”.

É possível dar um valor à manifestação de estar vivo? O trabalho realizado pelo bombeiro que luta para apagar o fogo é menos valoroso que o trabalho realizado pelo engenheiro ou jogador de futebol? É possível negar a alimentação justa a um indivíduo devido a sua atividade “insignificante”? Será que não há comida o suficiente no mundo para alimentar à todos? É civilizado o apodrecimento de alimentos nas prateleiras das lojas em todo o mundo devido à falta de dinheiro para comprá-los?

Será o dinheiro expressão do nosso valor como seres humanos? Como podemos viver em função de papéis coloridos, pedaços cunhados de metal e créditos fictícios em computadores? Não são estes distribuídos arbitrária e especulativamente com pouca, se não, nenhuma ética? Em nome da nossa divindade “dinheiro”, ignoramos o sofrimento alheio, negligenciamos os herdeiros do nosso legado, desprezamos a ingenuidade de quem se incomoda com tais problemas insignificantes, observamos céticos todo e qualquer esforço para construção de um futuro mais “humano”.

Somos a única espécie que sistematicamente consome os “recursos” (denominação da poupança planetária) em uma velocidade maior do que é possível ao planeta repor, por que temos tanta pressa? Existe um lugar para se chegar? A cada dia quando corremos contra o relógio temos consciência de que não há aonde chegar nem horário a ser cumprido a não ser que assim desejemos? Engolimos os alimentos às pressas, nos privando de sentir os sabores, dormimos menos para não desperdiçar preciosas horas, quando temos todo tempo do mundo…

Eu sei que há muita coisa errada em nossas vidas, não é preciso ser um gênio para perceber. Não nos comprometemos, não cuidamos de nossos semelhantes, produzimos lixo a todo o momento, fruto do consumo em ritmo sempre crescente, consumimos venenos das mais diversas formas: radiação elétrica, magnética ou solar, agrotóxicos, conservantes, gorduras insolúveis, açúcar e sal em demasia, calorias ao invés de nutrientes. Enlatamos, ensacamos, engarrafamos e congelamos todos os alimentos possíveis, esterilizamos o consumo a ponto dele se tornar distante e impessoal, um ritual de satisfação do nosso ego e objetivo de nossas vidas.

Estranho tudo isso, penso o quanto nós humanos como espécie, como civilização, como indivíduos e como almas somos desunidos, o quanto o afeto é atrofiado em nossos corpos. Estranho que a maioria dos seres que habita este planeta não sabe ou simplesmente não se importa com o que temos feito. Estranho saber que existem pessoas que tem consciência e que lutam todos os dias para mudar a nossa triste condição, mas cujo resultado ainda é pequeno e desorganizado. Estranho não estarmos desesperados com a certeza de que este planeta não será de nenhum de nós no futuro e que ninguém ganhará com isso, independente de quanto dinheiro possuirmos, a importância do nosso trabalho ou o número de pessoas que nos conhecem. Estranho não ter orgulho de ser humano, estranho não me sentir superior ou privilegiado.

02/12/2009

Espelho

Arquivado em: Poemas — André Sobral @ 9:54 pm

Ei!!!

Por que és tão leve e a doçura se resume ao teu sorriso?

Por que tua biodança lembra poesia?

O que me espelhas?

O que é que eu digo agora…?

Como é que eu vou embora…?

Aaaa, Aaaa, Aaaa, Aaaa…

Aaaa, Aaaa, Aaaa, Aaaa…

Não podes ir embora…

Não diga nada agora…

O amor espelhado infinitas vezes,

Dança a maior poesia,

Leve, uva, doce, lábios…

Ei!!!Vanessa Carvalho dos Santos e André Sobral 18/06 /2008

A sua voz

Arquivado em: Poemas — André Sobral @ 9:47 pm

Já me acostumei com a sua voz, e quando estou contigo estou em paz!

Não consigo me acostumar com a sua voz,

Ela ainda continua me fazendo sorrir,
Ela ainda acalenta minha saudade,

Não consigo me acostumar com a sua voz,

Ela ainda me surpreende tarde da noite,
Ela ainda adocica meus sonhos,

Não consigo me acostumar com a sua voz,

Ela ainda me maravilha no seu canto,
Ela ainda me seduz com seu encanto.

Vanessa Carvalho dos Santos e André Sobral 02/12/2009

24/10/2009

Amar tanto

Arquivado em: Poemas — André Sobral @ 4:28 pm

O amor que sinto,
não é quente nem frio,
não é forte nem fraco,
não é grande nem pequeno,
não é muito nem pouco,
tudo que me encanta,
tudo que me ilumina,
tudo que me tira o ar,
tudo que me faz sonhar,
é imensurável!


André Sobral
24/10/2009

30/09/2009

Ganhando tempo

Arquivado em: Devaneios Diários — André Sobral @ 11:11 pm

O despertador havia falhado, a força do sol denunciou o óbvio, acordei atrasado, resolvi que não tomaria banho naquele dia, ganhei alguns minutos que seriam desperdiçados entre ensaboamentos e enxagues, na cozinha, abri a geladeira para encontrar o pouco de sempre, não tive tempo de passar no mercado ultimamente, fazer um sanduíche tomaria muito tempo, resolvi comer um pacote de biscoitos que estava aberto, fazer suco? Refrigerante, só beber, mais prático, vesti qualquer coisa, apressado, peguei a mochila, e saí, escovar meus dentes ficaria para depois, desci as escadas correndo, pulei o último lance de degraus, ignorei o porteiro para não desperdiçar preciosos segundos em um bom dia, aproveitei que o portão estava aberto para a passagem de um carro e corri através dele para não precisar abri-lo novamente, na rua o tráfego estava infernal, parei alguns segundos na calçada, medi a distância rapidamente, uma pequena brecha apareceu quando um ônibus que saia do ponto atrapalhou os motoristas, foi minha deixa, dei um pinote passando entre os carros à toda, mal cheguei no outro lado e vi meu ônibus virando a esquina, para não perder mais minutos no ponto, fui em uma carreira até o ponto e peguei o coletivo, mais uma enorme economia de minutos, impaciente observei cada parada no caminho, fiz questão de ficar à frente para descer mais rápido quando chegasse meu destino, pulei do ônibus quando as portas se abriram, pouco antes dele parar, me recuperando do pequeno desequilíbrio, me apressei ladeira à cima, ignorei minha sede e fui para a aula, perdi a presença pelo atraso, além da primeira impressão, são os primeiros minutos que ficam, saí para tirar cópias de textos durante a aula, assim economizo o tempo antes de ir embora, não conversei com ninguém, captei apenas trechos de conversa enquanto passava pelos corredores, nada que mereça meu tempo, apenas anotei o que foi dito pelo professor enquanto lia o texto de outra disciplina, aproveitei que a aula seguinte não havia começado, o professor aparentemente estava atrasado, não me dei ao luxo de esperar, ele provavelmente não viria, saí a toda velocidade para o outro campus, passei alguns minutos com minha namorada, não tinhamos como desperdiçar mais tempo, tinhamos compromissos, atravessei o campus até o ponto de ônibus, peguei o primeiro que passou, paguei a passagem mais cara, mas ganhei em tempo, saltei mais uma vez do ônibus em movimento, corri para atravessar o sinal que estava aberto, mas com poucos carros, faltavam apenas cinco segundos para fechar, é claro, sem contar com o tempo que iria perder em sinal amarelo, normalmente não se sabe o quanto cinco segundos podem fazer de diferença em uma vida, neste caso, descobri que fizeram toda a diferença, principalmente para o motorista que vinha em disparada, preocupado em aproveitar os cinco segundos para não perder um minuto de sinal vermelho.

Não fazia ideia do que faria em casa, não sabia por que corria, simplesmente tinha que ser rápido, era o que alguém lhe tinha dito, não podia desperdiçar um minuto sequer da sua vida,  diziam que havia decidido competir com o relógio no momento em que nascera, certamente só fizera as pazes no momento de sua morte.

26/08/2009

Elogios

Arquivado em: Devaneios Diários — André Sobral @ 10:24 pm

Quantas vezes ouvimos algumas delicadezas das pessoas desconhecidas que nos cercam no nosso dia a dia, pouquíssimos obrigados, algumas desculpas, às vezes um licença…

Estava esperando um ônibus, como sempre, quando uma senhora de cabelos brancos que vinha andando pela calçada, parou brevemente em minha frente, e disse um elogio que marcou o resto do meu dia, talvez, o resto da minha semana, afinal não é todo dia que se ouve isso de uma completa estranha!
“Que olhar bonito que você tem”
“É mesmo?”
“Sim!”
“Obrigado”
E assim ela me deixou no ponto, sozinho, com meu olhar bonito.

24/08/2009

Pay it Foward

Arquivado em: Devaneios Diários — André Sobral @ 5:06 pm

Era mais uma quarta feira normal, mas a vida é uma caxinha de surpresas… Estava no ponto de ônibus em Amaralina, aquele próximo ao largo das baianas do acarajé, à esquerda do ponto alguns policiais militares revistando meninos de rua, como eu disse, tudo normal…

Logo alguém me aborda em um portunhol meio incompreensível, um sujeito de camisa e chapéus marrom escuro, cabelo encaracolado, rosto queimado pelo sol, barba rala, olhos castanhos claros e um colar daqueles de coco que é tão normalmente vendido na praia.

Depois de um breve minuto em que não entendia nada do que ele falava, pude finalmente compreender, ele queria “plata” para pegar um ônibus para o hotel onde estava hospedado, presumi que tinha sido assaltado, mas desconfiado, perguntei onde ficava o hotel, ele respondeu “Itapoã”, neste momento oportuno vinha na orla um “Itinga-Vida Nova”, resolvi ajudar ele, e então mandei ele subir no ônibus, dizendo que eu pagava a passagem dele, ele tinha 80 centavos, peguei-os para mim e paguei os R$ 4,30 da passagem.

Sentei em um dos bancos da frente, próximo aqueles reservados, ele sentou no banco logo atrás, não resisti ao meu impulso socializável e virei para trás, comecei a tentar conversar, o que não foi muito fácil, mas deu pra descobrir algumas coisas. Primeiro, ele havia sido largado para trás por cinco “amigos brasileiros” em um bar que deixaram a conta para ele pagar, segundo, ele era colombiano, e havia viajado pela América do Sul toda e agora chegava ao Brasil.

Intrigado como alguém que já viajou tanto não possuia dinheiro para o ônibus, perguntei a ele por que não tinha um cartão ou algo assim, disse ele que perdeu o cartão ainda na Colômbia e recebeu um de emergência da empresa, que não tem chip, então não funciona em caixas eletrônicos, e enrolou pra pegar um novo, depois de ter começado a viagem, preferiu não retornar à Colômbia para resolver isso, então a única forma de conseguir o dinheiro é no caixa dentro da agência, e nos Bancos que ele visitou na Amaralina/Pituba (por toda a manhã), não permitiram que ele o fizesse, disseram “Não fazemos esse tipo de operação neste banco”.

Estranho, mas não impossível… Ele disse que estava com uma passagem para Alemanha comprada para o dia seguinte, e que agora ia trabalhar e estudar arquitetura por pelo menos um ano lá. Resolvi descontrair e mudar de assunto, falei “tenho um irmão que está na França”, ele fez uma cara de tristeza e disse “No air France?”, eu “Não, na França, no país”, “há!” disse ele, “pensei que estava falando do acidente”. Ele perguntou o que eu estudo, respondi Ciências Sociais, espero que ele tenha entendido.  Percebendo que não teria como conversar com ele em português sem uma relativa dificuldade, resolvi perguntar se ele falava outras linguas, descobri que falava um pouco de italiano, um pouco de francês, espanhol e inglês.

“Inglês, a lingua universal” – Começamos a conversar em inglês, o que facilitou a comunicação. Aprendi que ele estava faminto e morrendo de sede, eu havia pego uma paçoquita em casa, dei para ele, e expliquei que ele não devia comer se estava morrendo de sede. Ele entendeu que era como pasta de amendoin, achei que dava pra ficar por isso mesmo, quando ele provar ele descobre o gosto… Conversamos mais um pouco até que chegamos ao tópico: Dar esmolas. Disse a ele como fiquei com receio de dar-lhe dinheiro que fosse eventualmente utilizado para compra de bebidas ou drogas, e como é comum pessoas pedindo dinheiro nas ruas aqui no Brasil, para minha surpresa ele disse que sabia que era assim, e que ele mesmo não dá dinheiro pelas mesmas razões, mas ironicamente ele estava nessa situação agora, também lamentou não poder me recompensar pela minha ajuda, mas que ajudaria a outra pessoa que lhe pedir, ao ouvir algo tão familiar, perguntei se ele já havia assistido “a Corrente do Bem” (Pay it Foward), ele disse que sim, e que achou a ideia do filme muito boa.

Chegamos em Itapuã e me despedi do sujeito, que, espero, tenha encerrado suas aventuras em Salvador e partido para um futuro mais promissor na Alemanha, se é que qualquer coisa que ele me disse era realmente verdade…

18/02/2009

Crise de Crédito Global

Arquivado em: Devaneios Diários — André Sobral @ 11:51 pm

A crise de crédito Global é um tema debatido constantemente em todos os recursos midiáticos, entre as principais causas a especulação imobiliária, os interesses acumulados nos empréstimos e por fim a distribuição de crédito indiscriminadamente.
Acredito que todos já estão cansados de discutir esse assunto, então gostaria de abordar outra crise de crédito.
Qual é a sua disponibilidade para dar crédito?
Por quantas pessoas o crédito lhe permite  “por a mão no fogo”?
Para quantas pessoas você dá o crédito mesmo quando tudo vai mal?
Para quantas pessoas o crédito é suficiente para compartilhar um problema?
Para quantas pessoas o crédito é suficiente para permitir um perdão?
Para quantas pessoas o crédito é o suficiente para “quebrar um galho”?
Para quantas pessoas o crédito é suficiente para serem recebidas em seu lar?
Para quantas pessoas o crédito é suficiente para merecerem um bom dia?
Para quantas pessoas o crédito é suficiente para um olhar?
Será que há uma escassez de crédito geral? Será que não há como se receber de volta o que se confia aos outros? Será que é mesmo uma questão de valores? Que valores?
Não podemos confiar nos profissionais ou serviços, eles só querem dinheiro, não podemos confiar nos colegas da empresa, elas são competidores, não podemos confiar nas pessoas nas ruas, elas podem querer roubar-nos…
Como anda sua disponibilidade como credor?

22/12/2008

Mantra

Arquivado em: Poemas — André Sobral @ 10:53 pm

Elixir de iluminação são os meus dias
Vivo para saborear o mundo, a vida
Cada instante é pathos, thauma
Estimo-me de corpo e alma
Conheço-me de sobejo
E tudo o que vejo
Incita-me curiosidade
Minha essência é espiritualidade!
Minha ação é ética, é valor
Sou meu oásis interior
Pois tudo o que sorvo é humorado
E de tudo o que existe, o significado
É música!

Vanessa Carvalho dos Santos 06/04/2007

Se Permita

Arquivado em: Poemas — André Sobral @ 10:39 pm

Se permita chorar quando seu coração apertar
Se permita errar quando tudo parecer te sufocar e cobrar
Se permita ser feliz, independente do que os outros pensem ou queiram
Se permita sonhar, como se não houvesse problemas
Se permita liberdade, mesmo que alguém dependa de você
Se permita experimentar, o novo nem sempre é ruim
Se permita ouvir, a verdade não tem dono
Se permita viver, antes que a vida passe

André Sobral
Para Priscilla Cordolino Sobral.

Próxima Página »

Blog no WordPress.com.